A vida nessa cidade pode não ser “aquelas coisas”, mas digo-vos, antigamente já foi bem pior.
No meu local de trabalho, é tradição trazer-se chocolates para os colegas sempre que chegamos de viagem. Somos poucos mas, de modo geral, viajamos muito. Logo, há sempre uma caixinha de chocolates ou rebuçados à disposição dos colegas.
Há dias, uma colega minha sai-se com essa: “lembram-se como era nos tempos, nas festas? Havia sempre uma tia que distribuía os rebuçados nas mãos dos meninos!”
Pois é, naquele tempo, não havia rebuçados à “borliu”. Um ou dois, dependendo do nível social do dono da festa, e já estava do bom tamanho! Dizem até que alguns daqueles rebuçados vinham da Europa! Portugal, para ser mais específica. Euzinha, de vestido que girava, sapatos envernizados e meias com rendinha, também fazia parte dos que sonhavam com os rebuçados que poderia vir a receber no aniversário do fulano, sicrano, ou beltrano. E portava-me bem a festa toda, porque se aprontasse, ainda corria o risco de a minha mãe receber o meu rebuçado e dar a uma outra prima, de preferência àquela que eu mais odiava. Sem falar no factor saúde: quando criança, o pediatra pediu aos meus pais que moderassem, ou senão cortassem o meu consumo de açúcar. Logo, para mim, açúcar valia muito mais que ouro.
Hoje, os tempos já são outros. O que os putos mais querem nos dias de hoje é brincar no pula-pula, descalços, até já podem ir de havaianas, não há makas! E quase nem ligam os rebuçados, que já não estão nas mãos das tias…Agora ficam mesmo por cima das mesas! Se soubessem o quanto nós, meninos dos anos 1980, ou mais cedo ainda, sonhávamos em ter doces por cima da mesa sem que nenhuma “Generala” viesse supervisionar quem comeu o quê, talvez davam mais valor a estes pequenos diamantes açucarados.
Afinal pessoal viemos mesmo de longe…